sexta-feira, agosto 12, 2016


AUTONOMIA REGIONAL
E CONSCIÊNCIA HISTÓRICA
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ESPLENDORES E ILUSÕES
DA AUTONOMIA AÇORIANA


Em boa hora e com devida percepção das coisas e valores que lhe cabem reassumir contemporaneamente – por vocação, tradição interventiva, horizonte de reflexão, estudo e divulgação editorial e académica –, daquele que foi, desde a sua criação, um projecto de formação da consciência histórico-cultural, cívica e social desta ilha (dos Açores e do País, que de muitos e variados modos de tudo isso sempre careceram...) – nos contextos societários e geracionais da respectiva génese e acção ao longo de décadas –, decidiu o Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT), agora presidido pelo nosso amigo e confrade João Maria Mendes, proceder a frutuosa parceria de colaboração regular com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (CMAH), a qual tem louvavelmente correspondido, com vantagens mútuas, a tão abonado propósito, como aliás havia sido sempre defendido no nosso Instituto (e analogamente também o fiz, com outras agremiações regionais e nacionais, pelo que não posso deixar de congratular-me com essa resolução prática).


 – De resto, tal produtiva cooperação decorre felizmente de uma renovada e positiva coabitação institucional, ao contrário do que anteriormente se verificou em vários casos (porventura com culpas ou equívocos de entidades públicas e governamentais para com o IHIT, e vice-versa).


 Ora acaba o nosso Instituto de levar a efeito mais uma Jornada Histórica com o apoio da CMAH, desta vez sobre os 250 Anos da Capitania Geral dos Açores e durante a qual conferencistas e credenciados estudiosos da época em análise – Avelino Meneses, Madruga da Costa, Alberto Vieira, João Madruga, Alfredo Borba, Manuel Faria, Margarida Vaz do Rego, José Damião Rodrigues e Álvaro Monjardino –, procuraram recolocar criticamente e problematizar de novo aquele marco da vida político-institucional açoriana e portuguesa que trouxe, como sinalizara Reis Leite, “a mais radical alteração político-administrativa que alguma vez se operara nestas ilhas, [...] numa visão administrativa típica do século XVII e do despotismo iluminado”.



– Naturalmente que nem todas as perspectivas de abordagem possível a esta vasta e complexa problemática histórico-política, institucional, social e cultural foram ali aportadas, ficando talvez ausente, a meu ver, como principal lacuna das apresentações e dos poucos debates, uma mais detalhada e aprofundada atenção ao modo como a Capitania Geral foi recebida, entendida, sentida e particularmente contrariada em S. Miguel, e cujos modos ficaram plasmados não só nos acontecimentos da época, quanto também numa historiografia mais marcadamente construída a partir de outras leituras e propostas socio-geográficas, político-económicas, classistas e ideologicamente alternativas ou contrapostas, nos Açores, no País e no Estrangeiro, àquela que acabou por ser, de algum modo, a mais consagrada ou essencialmente mais consensual ao longos dos tempos e até hoje...


E isto mesmo pode aliás ser detectado nos conhecidos trabalhos e obras clássicas sobre este tema (nomeadamente nos sempre obrigatoriamente referenciáveis livros de Francisco Machado de Faria e Maia sobre os Capitães-Generais e na Corographia Açórica de João Soares de Albergaria e Sousa...) e, evidentemente, nas sugestivas teses académicas e demais ensaios elucidativos que tem vindo a ser produzidos e publicados entre nós (v. g., entre outros, por Avelino Meneses, Reis Leite, Madruga da Costa, Damião Rodrigues e Carlos Riley), tanto mais quanto também nesses diferentes e diferenciados horizontes críticos e doutrinários vai entroncar – ainda por variável  relação (assumida ou refractária...) a inspiradores contextos continentais europeus, britânicos e americanos (Brasil e Estados Unidos) – muita da subsequente produção teórica (e impulsos práticos...) sobre a Autonomia Regional, os chamados primeiros e segundos Movimentos Autonómicos e Separatistas, e as sucessivas tentativas de governação dos Açores, nessa roda do Tempo que percorremos (e sofremos...), como lhes chamou Álvaro Monjardino:



 – “ (...) Algumas com êxito institucional mas sempre comprometidas por penúria financeira, (...) até 1940 e ao Estatuto dos Distritos Autónomas das Ilhas Adjacentes, outorgado pelo Estado Novo e sujeito à rigorosa disciplina financeira que o caracterizou; este 3º período durou até 1976, em que terminou com a extinção dos distritos e a criação constitucional das Regiões Autónomas dos Açores (e da Madeira), precedida por alguns meses (1975/76) de Juntas Regionais, ainda dependentes do governo central. Só então as tendências autonomistas frutificaram, pode dizer-se que em pleno, no nosso arquipélago atlântico, algumas delas até exageradas na sua medida, nos seus meios de realização e até em ilusões de importância, quiçá de esplendor, que alguns julgaram poder-se atingir”... E outros sonham, por entre honras e proveitos, diga-se, estarem ambos, atingidos ou definitivamente perdidos...



– Valeu assim bastante esta rica Jornada, apesar do apertado Programa e do intenso ritmo das suas Conferências e Comunicações, pelas retomadas reflexões sobre o passado, todavia com os olhos bem postos, ou possivelmente mais podendo vir a ser crítica e comparativamente dirigidos ao presente e ao futuro dos Açores!
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Em “Diário dos Açores” (Ponta Delgada, 13.08.2016),
e RTP-Açores:

Azores Digital:
Outra versão em “Diário Insular” (Angra do Heroísmo, 13.08.2016).


domingo, agosto 07, 2016


Autonomia e Consciência Histórica
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Em boa hora e com devida percepção das coisas e valores que lhe cabem reassumir contemporaneamente – por vocação, tradição interventiva, horizonte de reflexão, estudo e divulgação editorial e académica –, daquele que foi, desde a sua criação, um projecto de formação da consciência histórico-cultural, cívica e social desta ilha (dos Açores e do País, que de muitos e variados modos de tudo isso sempre careceram...) – nos contextos societários e geracionais da respectiva génese e acção ao longo de décadas –, decidiu o Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT), agora presidido pelo nosso amigo e confrade João Maria Mendes, proceder a frutuosa parceria de colaboração regular com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo (CMAH), a qual tem louvavelmente correspondido, com vantagens mútuas, a tão abonado propósito, como aliás havia sido sempre defendido no nosso Instituto (e analogamente também o fiz, com outras agremiações regionais e nacionais, pelo que não posso deixar de congratular-me com essa resolução prática).


 


– De resto, tal produtiva cooperação decorre felizmente de uma renovada e positiva coabitação institucional, ao contrário do que anteriormente se verificou em vários casos (porventura com culpas ou equívocos de entidades públicas e governamentais para com o IHIT, e vice-versa).


 Ora acaba o nosso Instituto de levar a efeito mais uma Jornada Histórica com o apoio da CMAH, desta vez sobre os 250 Anos da Capitania Geral dos Açores e durante a qual conferencistas e credenciados estudiosos da época em análise – Avelino Meneses, Madruga da Costa, Alberto Vieira, João Madruga, Alfredo Borba, Manuel Faria, Margarida Vaz do Rego, José Damião Rodrigues e Álvaro Monjardino –, procuraram recolocar criticamente e problematizar de novo aquele marco da vida político-institucional açoriana e portuguesa que trouxe, como sinalizara Reis Leite, “a mais radical alteração político-administrativa que alguma vez se operara nestas ilhas, [...] numa visão administrativa típica do século XVII e do despotismo iluminado”. 

– Valeu bastante esta Jornada, à qual voltarei, pelas reflexões sobre o passado, mas com os olhos bem postos no presente e no futuro dos Açores...
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Em "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 06.08.2016),
e Azores Digital:








quinta-feira, agosto 04, 2016

De Alexandria à Conceição,
ou Destinos de Biblioteca
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Os nossos amigos José Elmiro Rocha e Cláudia Alexandra Cardoso são os dois únicos concorrentes ao lugar de director(a) da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo (BPARAH), lugar vacante desde a morte do nosso saudoso camarada Marcolino Candeias. 

Ora tal concurso público, cujo desfecho não é conhecido até hoje – mas que, após decisão do seu júri, será apenas formalmente promulgado pelo Secretário da Educação, Avelino Meneses –, pelo facto de estar a verificar-se sensível demora, ou assim entendida, na divulgação do seu respectivo apuramento, está gerando expectativas em vários sectores da vida político-cultural, laboral, jurídica e partidária açoriana (mormente terceirense e angrense)...


– E não é de admirar, atendendo às valências daquele cargo, se bem que, na generalizada opinião popular ou na consciência vulgar, tal atenção decorra menos de autênticas paixões pelo mundo civilizacional (histórico-patrimonial, literário, artístico e cultural) dos livros e tombos, do cômputo dos currículos técnico-profissionais (específicos dos opositores admitidos) ou até da releitura do Edital do concurso, do que devido a fixações nos perfis sociais, quiçá políticos, ou mesmo partidários, ali presentes...

José Elmiro Rocha tem vasta carreira de direcção e gestão efectivas em Arquivo, Biblioteca e Ciências Documentais (desempenhadas na Horta e em Angra do Heroísmo); Cláudia Alexandra Cardoso exerceu proficiências em dois executivos do PS (nomeadamente na Educação e Cultura, usual tutela das áreas departamenatis em causa), e foi deputada regional socialista (aliás agora sintomaticamente removida das listas de Vasco Cordeiro, Sérgio Ávila, Roberto Monteiro e Fátima Albino)!




 – Mas seja como for ou vier a ser o desenlace desta disputa concursal, certo é que a/o preferida/o assumirá certamente um lindo rol de desafios numa instituição que, sendo Depósito Legal e tendo notável historial e provecto prestígio (ver os seus ex-directores aqui: http://www.bparah.azores.gov.pt/html/bparah-historia+diretores.html), vem sendo sujeita a inadmissíveis e copiosos constrangimentos, rotinas, arrastamentos, impasses estruturais e técnico-laborais (também por entre as mal-vendidas ruínas da rua do Marquês e os imbróglios provisoriamente soterrados nos alicerces e muros baços das suas futuras instalações!):



Tudo exigentes dossiers e processos resvaladiços, minados ou ainda potencialmente problemáticos e comprometedores (programática, político-institucional, orçamental e financeiramente) que irão povoar gabinetes, corredores, planos e projectos, ou não fosse a Biblioteca sempre símbolo/paradigma de ficcionais mistérios, espectrais segredos, belas lições e revelações concretas, desde a fabulosa e mítica Alexandria da antiguidade (passando pelas narrativas ao inspirador modo de Borges, Manguel e Eco...), até às paroquiais cercanias da colina angrense com a Direcção Regional da Cultura e o Santuário da nossa contemporânea Conceição, para onde vão ser carregados, transportados e reinstalados, durante meses e anos por aí baixo e acima, as ricas existências da BPARAH, oficialmente agora rebaptizada de Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro:



 – A mesma que o (actual) Governo Regional dos Açores já anunciou querer “inaugurar” (certamente para a fotografia de balancete do seu frutuoso mandato a caminho do termo, mesmo que apressadamente e a título precário ou improvisado – e não era sem tempo, diga-se, para limpar fachadas! –, provavelmente já com o novo director – ou a nova directora... – a empossar, ver-se-á quando, e como, assistindo à cerimónia do seu solene corte de fita, com mais ou menos água benta (para remissão de pecados originais...), e com outras fitas, efeitos e desfeitas à margem da emblemática placa da festa de abertura para a nossa posteridade histórico-cultural (e política, naturalmente, como em todo o caso sempre identicamente o seria, com mais ou menos capacete partidário em tanta cabeça insegura e conformada estante...).
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Em "Diário Insular" (Angra do Heroísmo, 04.08.2016):




























"Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 04.08.2016):



























Azores Digital:
http://www.azoresdigital.com/colunistas/ver.php?id=3176,
e RTP-Açores:
http://www.rtp.pt/acores/comentadores/eduardo-ferraz-da-rosa/de-alexandria-a-conceicao-ou-destinos-de-biblioteca_51064.



sábado, julho 30, 2016

Agendas, Prenúncios
e Cortinas de Fumo
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Não há muitos anos um jornalista publicava na imprensa terceirense um artigo sobre projectos aeroespaciais e científicos previstos para Santa Maria (assemelhada então a uma ilha de foguetões...). Os tempos passaram e os planos da ESA (Agência Espacial Europeia), envolvendo conhecidas parcerias internacionais, nacionais e regionais, concretizaram-se no Monte das Flores.





– Depois, por via também dessas sofisticadas estruturas conjuntas, com inovações técnicas e tecnológicas de ponta e múltiplo alcance em várias áreas, aparelhos e complexos científico-industriais (que são ainda de monitorização, defesa avançada e vigilância das rotas transoceânicas e planetárias...) os Açores tentaram ganhar novas posições estacionárias (sempre negociais), co-presenças, créditos e prováveis mais-valias decisivas nos actuais e futuros horizontes de envolvimento naqueles domínios.

De resto, segundo informação disponibilizada em Março de 2014 pela própria ESA, quando em Santa Maria foi instalada a nova infra-estrutura terrestre mundial do sistema Galileo – a Galileo Sensor Station – que assim se juntou a uma “vasta rede de estações de monitorização do sinal, intervalos do relógio e posição dos satélites Galileo em órbita da Terra” –, ali passaram a funcionar duas estações (a dita Galileo e a Estrack, estação de seguimento usada para acompanhar lançamentos europeus em Kourou, na Guiana Francesa)...





O local então escolhido, nos Açores, ainda segundo a ESA, cumpria “todos os requisitos para o Galileo: está longe de áreas construídas, é um terreno plano, com boa visibilidade do céu em todas as direções”, tendo as duas estações sido construídas pela empresa portuguesa Edisoft, que faz parte do Grupo Thales...



– E isto, evidentemente, num contexto geoestratégico integrado a que não é alheio o facto dos eixos da política, da diplomacia, da vigilância e da segurança operacional e preventiva europeias e norte-americanas (em reconfiguração sensível) se terem vindo a deslocar cada vez mais para as zonas do Pacífico e do Índico, sem que, contudo, se possam vir a deixar desguardadas ou desguarnecidas as nossas costas e flancos euro-atlânticos (a Norte e a Sul!), na bacia do Mediterrâneo e no norte de África, para além, evidentemente dos tradicionais limes (histórico-civilizacionalmente recorrentes porque quase “naturais” ou permanentes fronteiras “internas” continentais europeias...), – tanto mais quanto os penúltimos desafios e incertezas mundiais (v.g. em todo o Médio Oriente, nesse oscilante triângulo geopolítico, militar e religioso que tem um dos vértices, por estes dias bem afiado... em Istambul/Ancara, e os outros dois no Iémen e em Cabul, atravessando e abraçando portanto Arábia Saudita, Egipto, Israel, Síria, Líbano, Jordânia, Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Omã, Paquistão e Irão!), e ainda e sempre face ao Terrorismo islâmico e suas mutações tácticas, obrigando a que toda a “reserva territorial” e de “intervenção e projecção de forças” (cada vez mais teleguiadas, rastreadas à distância/proximidade e altamente exigentes em termos de eficiência logístico-electrónica e armadura informática global...) nunca sejam deixadas vazias (ou disponíveis para ocupações adversas ou concorrentes...) enquanto zonas nevrálgicas do chamado Ocidente, ou do que dele pode restar neste perigoso século XXI...


 



Ora a agenda ocidental (europeia e norte-americana) passa por ali e por aqui mesmo, não sendo sequer possível compreender tudo o que decorre destes âmbitos cruciais sem uma percepção integral e integrada de tais conjuntos e multifactoriais cenários de interesse, pensamento e acção, que o resto, com mais ou menos rampas e foguetório provinciano (nacional e regional), nem para cortina de fumo dará!



– Todavia parece que quanto mais carecemos daqueles reforçados e esforçados pensamento e acção, diga-se mesmo de um pensamento esclarecido para uma acção consequente, mais se adensam os sinais de estagnação ou de retrocesso em domínios absolutamente essenciais para a vida sociopolítica, institucional e cultural dos Açores, no contexto específico da nossa capacidade, credibilidade e imagem como Região Autónoma dotada de órgãos de governo próprio, mas carenciada de agentes e actores capacitados e devidamente preparados para perceber e enfrentar os desafios insulares a que estivemos, estamos e estaremos sujeitos no País, na Europa e no Mundo.




Porém, os mais recentes prenúncios, balões de ensaio e recados vindos a lume não auguram nada de bom para os Açores, ou pelo menos não deixam vislumbrar os preocupantes e reais contornos e dimensões dos reptos e expectáveis respostas que de vário modo temos ou (não) teríamos pela frente, tanto no plano propriamente político (partidário, parlamentar, governamental e autárquico...) quanto no campo de um posicionamento mental e institucional claro, previdente e coerente perante questões, propostas e pretensões de previsível (ir)relevância e (des)vantagem regional e nacional para o nosso Desenvolvimento, como sejam aquelas que se prendem com as posições geoestratégicas, logístico-militares e técnico-científicas das ilhas (Lajes, Santa Maria, Flores, Horta e S. Miguel...), com as suas potenciais valências e ganhos, riscos e custos, garantias e salvaguardas (que são também de soberania exclusiva, partilhada ou alienada).



 – Para tanto, e nem falando já em Filosofia Política, Sociologia e Diplomacia, talvez que uma boa dose de “reciclagem” geral ou uma “iniciação” intensiva (conforme as carências e os currículos...) ao estudo da História de Portugal e dos Açores (ou, ao menos, de uma História da Autonomia que conquistámos naqueles recordados anos decisivos que José Andrade, como salientarei noutro texto, bem arquivou na sua tripla, diligente e instrutiva antologia jornalística...) fossem ideias bastante vantajosas para a formação básica e programática de certos próceres, conselheiros e redactores político-partidários que por aí exibem a sua míope, caricata mas arrogante, suicidária e incorrigível nulidade de análise e insensata decisão (quando não ausência de ética política, cujos valores aliás desconhecem ou não toleram...).


Assim, nestes tempos de calmaria (aparente), por entre uns banhos de sol e mar, nesta “silly season” que já quase ultimou as listas (e que lindo rol!) de candidatos às próximas eleições regionais de Outubro – todas bem demonstrativas daquilo que certos líderes, militantes e serventuários, para todo o rapace serviço, são capazes –, é só esperar um pouco para vermos no que darão as modas e suas rodas!


– A eles e elas voltaremos, enquanto circos estivais e festanças vão montando a sua tenda nos arrabaldes da nossa proverbial “autonomia democrática”, para depois desfilarem novamente nas cidades, vilas e freguesias ilhoas com as suas trupes de trapezistas, ilusionistas, contorcionistas, palhaços e outros artistas que tais, pelas pistas e arenas do costume.
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Em "Diário dos Açores" (Ponta Delgada, 30.07.2016):



























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Publicações/versões parciais deste texto:
“As Pistas e a Tendaem Azores Digital:
http://www.azoresdigital.com/colunistas/ver.php?id=3174:



























e “A Tenda e as Pistas”, em “Diário Insular”, Angra do Heroísmo, 30.07.2016:




As Pistas e a Tenda
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Parece que quanto mais carecemos de pensamento esclarecido para acção consequente, mais se adensam sinais de estagnação ou retrocesso em domínios essenciais para a vida da Terceira e dos Açores, no contexto da nossa capacidade, credibilidade e imagem como Região Autónoma dotada de órgãos de governo próprio, mas carenciada de agentes e actores capacitados e devidamente preparados para perceber e enfrentar os desafios insulares a que estivemos, estamos e estaremos sujeitos no País, na Europa e no Mundo.


 Porém, os mais recentes prenúncios, balões de ensaio e recados vindos a lume não auguram nada de bom para os Açores, ou pelo menos não deixam vislumbrar os preocupantes e reais contornos e dimensões dos reptos e expectáveis respostas que de vário modo temos ou (não) teríamos pela frente, tanto no plano propriamente político (partidário, parlamentar, governamental e autárquico...) quanto no campo de um posicionamento mental e institucional claro, previdente e coerente perante questões, propostas e pretensões de previsível (ir)relevância e (des)vantagem regional e nacional para o nosso Desenvolvimento, como sejam as posições geoestratégicas, logístico-militares e técnico-científicas das ilhas (primeiramente das Lajes!), com as suas potenciais valências, riscos, custos, garantias e salvaguardas...


 – Para tanto, e nem falando já em Filosofia Política, Sociologia e Diplomacia, talvez que uma boa dose de “reciclagem” geral ou uma “iniciação” intensiva (conforme as carências e os currículos...) ao estudo da História de Portugal e dos Açores (ou, ao menos, de uma História da Autonomia que conquistámos naqueles recordados anos decisivos que José Andrade, como salientarei noutro texto, bem arquivou na sua tripla, diligente e instrutiva antologia jornalística...) fossem ideias bastante vantajosas para a formação básica e programática de certos próceres, conselheiros e redactores político-partidários que por aí exibem a sua míope, caricata mas arrogante, suicidária e incorrigível nulidade de análise e insensata decisão (quando não ausência de ética política, cujos valores aliás desconhecem ou não toleram...).


 Assim, nestes tempos de calmaria (aparente), por entre uns banhos de sol e mar, nesta “silly season” que já quase ultimou as listas (e que lindo rol!) de candidatos às próximas eleições regionais de Outubro – todas bem demonstrativas daquilo que certos líderes, militantes e serventuários, para todo o rapace serviço, são capazes –, é só esperar um pouco para vermos no que darão as modas e suas rodas!

– A isso voltaremos, enquanto circos estivais e festanças vão montando barraca nos arrabaldes da dita “autonomia democrática”, para depois desfilarem pelas pistas do costume, com suas trupes de trapezistas voadores, ilusionistas de cartola, contorcionistas, “partenaires” e demais artistas!


 No caso da nossa Praia da Vitória, “armar tenda” em areias movediças, e que apenas a outros serviram, nunca deu “bom número”, nem sequer para alívio das tristezas na bilheteira...

Bring in the clowns?
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Em Azores Digital: